Outros artigos de Eduardo Jordão
Importado da JOTATexto preservado aqui para leitura direta — leia também na fonte original ↗
Artigo doutrinário

Chevron é mais do que 'apenas OK', Zé!

As consequências decorrentes da decisão da Suprema Corte americana acerca do Chevron podem ser devastadoras

Ler no JOTA Entrar para salvar Baixar PDF acadêmico Bookmarklet

Citação acadêmica

Copie a referência deste artigo no estilo da sua escolha e cole no seu trabalho. Geramos a citação no padrão exigido pela maioria das revistas jurídicas brasileiras. Ver guia completo.

Ver prévia das três referências▸
ABNT
JORDÃO, Eduardo. Chevron é mais do que 'apenas OK', Zé!. jota_import, 23 jan. 2024. Disponível em: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/publicistas/chevron-e-mais-do-que-apenas-ok-ze. Acesso via: JurisTube — Acervo Digital de Direito. Disponível em: https://juristube.com.br/colunistas/eduardo-jordao/chevron-e-mais-do-que-apenas-ok-ze. Acesso em: 25 set. 2026.
APA
Jordão, E. (2024, January 23). Chevron é mais do que 'apenas OK', Zé!. *jota_import*. https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/publicistas/chevron-e-mais-do-que-apenas-ok-ze
Chicago
JORDÃO, Eduardo. 2024. “Chevron é mais do que 'apenas OK', Zé!.” *jota_import*, January 23. https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/publicistas/chevron-e-mais-do-que-apenas-ok-ze
BibTeX
@article{eduardo-jord-o-chevron-mais-do-que-apenas-ok-z-2024,
  author = {Jordão, Eduardo},
  title = {Chevron é mais do que 'apenas OK', Zé!},
  journal = {jota_import},
  year = {2024},
  url = {https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/publicistas/chevron-e-mais-do-que-apenas-ok-ze},
  urldate = {2024-01-23}
}

Além de genial, meu querido amigo Zé Vicente é um polemista. Já defendeu o “consequenciachismo” criticado pelo Conrado Hübner. Já decretou o fim dos manuais, para a divertida reação do Marçal. E agora chegou a minha vez! 

Na coluna em que escarnece do fascínio nacional pelo direito comparado, Zé direciona a sua verve contra Chevron, célebre decisão da Suprema Corte americana: “apenas OK”. “Se você tirar os paetês, Chevron é, no fundo, um suco ralo.” Má vontade, né?

Não é preciso ser nenhum americanófilo para reconhecer que se trata de uma das mais importantes decisões do direito administrativo mundial. Julgue você mesmo. 

Fato 1: é a decisão mais citada pelos juízes federais americanos, superando inclusive as três decisões seguintes (Brown v. Board of Education; Roe v. Wade; e Marbury v. Madison) conjuntamente.

Fato 2: acaba de ser erigida pela parcela conservadora da população americana como o inimigo a ser abatido. Pois é, nem Chevron escapou da polarização política: é de esquerda!, decretaram.

Numa Suprema Corte de maioria conservadora, parece que a tese vai colar. Em audiências realizadas na semana passada, os magistrados indicados por Donald Trump deixaram transparecer a intenção de derrubar a jurisprudência de quase 40 anos. 

Vale esclarecer o embate ideológico por detrás da decisão, que pode não ser tão claro para o leitor brasileiro.

Chevron basicamente determina que os juízes devem ser deferentes às interpretações razoáveis que as agências reguladoras realizarem de leis ambíguas. Ao fazê-lo, a um só tempo (i) reconhece que há muito espaço para o intérprete do Direito tomar decisões autônomas, não pré-determinadas pelo legislador (algo que, por si só, Zé, já é uma baita lição para nossos juízes e juristas); e (ii) aloca esse poder decisório para as agências, sob o fundamento de que elas teriam mais expertise técnica e legitimidade política do que os juízes.

Embora tenha nascido no contexto do governo republicano de Ronald Reagan – e tenha sido então fortemente acolhida pelos juristas e juízes conservadores –, Chevron está hoje associada, no discurso político americano, a mais intervenção do governo (agora democrata) e “menos liberdade”.

Isso explica porque a Corte, que derrubou no ano passado o precedente relativo ao direito ao aborto (Roe v. Wade), já andou atenuando Chevron. Em decisões recentes, criou para ela limitações procedimentais e reduziu o escopo de decisões às quais ela se aplica. Para angústia da parcela progressista da academia americana, o risco agora é de total superação da jurisprudência. 

No caso atualmente em julgamento, o argumento central é o de que Chevron subverte o dever dos juízes de dizer o direito: caberia a eles, e não às agências, apontar a “melhor interpretação” das leis.

As consequências podem ser devastadoras: o enfraquecimento das agências reguladoras, o incentivo à judicialização de suas decisões e a transferência de um amplo leque de decisões regulatórias para juízes federais sem formação técnica correspondente. 

Nada OK, Zé.

Compartilhar
Vídeos relacionados
Continue lendo sobre
Outros artigos sobre este tema
acervo com mais de 1.800 artigos

Este artigo foi originalmente publicado em jota.info e está aqui hospedado para leitura, citação e uso como anexo a coleções de vídeos do JurisTube. Os direitos autorais permanecem com o(a) autor(a) e com o veículo original.

  1. Read this page in English?
    One click and JurisTube switches languages.